Depois de 29 anos…
Eu nasci em 1981. Ano em que o Grêmio conquistava o seu primeiro título nacional, mas que ainda era pouco, perto dos três títulos nacionais que o Inter já havia conquistado, um deles invicto. Mas passados dois anos, o Grêmio viraria este jogo ganhando uma Libertadores e um Mundial, títulos que eles adoravam jogar na nossa cara que não tinhamos.
Para mim, o futebol começou a existir em 1990. Ano em que o Inter se livrou do rebaixamento na última rodada e o Grêmio era hexacampeão gaúcho. Após minha “iniciação” ao futebol, parecia que a vida dos colorados ia mudar. No ano seguinte, retomamos o Gauchão e o Grêmio caiu para a segunda divisão. Em 92, ganhavamos a Copa do Brasil e o bi Gaúcho. Como era bom ser colorado naquela época.
Mas aí veio o período negro: eliminação na primeira fase da Libertadores em 93, Grêmio campeão da Copa do Brasil em 94, bi da América em 95, Recopa em 96, Copa do Brasil em 97, sem falar na nossa incapacidade de conseguir montar um time bom, salvo os times de 95 e 97 que quase chegaram nas finais do Brasileirão.
A rotina era o Inter ficar no meio da tabela, se contentar com um Gauchão, uma vitória em Gre-Nal de vez em quando. Durantes os anos de 93 e 96 frequentei o Beira-Rio com a parca esperança de sair de lá vencedor. Nem em casa empunhamos respeito. Até que perdi a paciência e larguei o Inter. Resolvi deixar a paixão de lado e ser mais racional, afinal existia vida sem futebol.
Não vou dizer que fiquei alheio depois disto, mas não parava tudo por causa do Inter como fazia antes. Não chorava quando o Inter perdia, nem quando o Grêmio ganhava. Vi o Inter quase cair duas vezes (99 e 02) e o Grêmio ganhar uma Copa do Brasil com bastante indiferença.
Mas aí veio o ano de 2003. A virada no Gre-Nal do meu aniversário, o bi Gaúcho, a quase classificação para a Libertadores, a primeira Sul-Americana. O ano seguinte passaria em branco se não fosse pela chegada de Fernandão, seu gol 1.000 no Gre-Nal e o rebaixamento do Grêmio.
E então veio 2005. O tetra emocionante na prorrogação contra o XV de Novembro começava a reascender a paixão. A reta final do Brasileirão, a indignação pela anulação dos 11 jogos, me colocou de novo em sintonia com o Inter.
Desta vez mais maduro, encarei a Libertadores 2006 como uma redenção para 1993. Queria primeiro ganhar uma e a vitória já veio no segundo jogo. Queria avançar de fase e conseguimos. Título? Era um sonho distante, uma idéia longínqua pela insegurança que eu (e muitos colorados) sempre tivemos pelos fracassos do passado. Mas, então, fomos avançando, jogo a jogo, batalha a batalha, até o primeiro jogo do Morumbi.
Chegar à final já era um marco para mim. Quando fizemos 2 x 0, eu não acreditava no que via: o meu colorado estava conquistando a América. O jogo de volta no Beira-Rio, só confirmou o grande feito. No final do ano, a emblemática vitória sobre o Barcelona, digna de DVD, colocava o Inter no topo do mundo, um lugar onde nunca imaginei que chegaríamos depois de tudo que passamos.
Mas não adiantava tudo isto. O Grêmio ainda tinha outra Libertadores. Faltava este título para lavarmos a nossa alma, mesmo que eles tenham caído duas vezes para a Série B e nós não. Em 2007 tivemos a chance de buscar o bi, mas caímos logo na primeira fase, resultado de um mau planejamento. Mas podia ser pior, o Grêmio só caiu na final. Imagina se eles levam a terceira naquele ano? Todo o trabalho de 2006 para nada!!! Seria muita injustiça…
Em 2008 parecia que retomávamos o prumo. Depois de reconquistar o Gauchão fazendo 8 a 1 no Juventude, o Inter titubeou um pouco, mas com a volta de Fernando Carvalho (na mesma época também virei sócio) o rumo das vitórias voltou.
No final do ano tivemos a inédita Sul-Americana. O Inter seguia no cenário internacional e se tornava o CAMPEÃO DE TUDO. Em 2009, ano do centenário, além de chegarmos em todas as finais que disputamos, eu também resolvi voltar a frequentar o Beira-Rio. Deixei de lado o medo de pé-frio da década de 90 e, apesar de estar morando em São Paulo, sempre que estava em Porto Alegre, dava um jeito de ir ao Gigante e apoiar o colorado.
Chega 2010 e a disputa de mais uma Libertadores e todas as coincidências já comentadas com 2006. Consegui conciliar minha agenda para assistir a vitória de 3 x 0 sobre o Deportivo Quito, o jogo que selou a classificação para as oitavas. Não acreditava na vitória contra o Banfield, então nem fui. Não consegui ingresso para o jogo com o Estudiantes, mas contra São Paulo e Chivas, eu estava lá. Gritando, vibrando e incentivando o meu colorado.
E no final, fui premiado: pela primeira vez na minha vida, eu estava no Beira-Rio vendo o colorado ser campeão. A sensação foi indescritível. Um misto de alegria, emoção, perplexidade, realização, enfim, não há palavras que descrevam o que eu senti e, aliás, acho que a ficha ainda não caiu pra mim.
Pensei nos jovens colorados que estão no colégio hoje. Eles não terão que aguentar o que eu aguentei. Ouvir corneta de gremista e não ter argumento para encerrar o assunto por cima. É claro que tenho amigos gremistas, mas agora a gozação é mais sadia, mais madura, mas ainda é corneta!
Ser bicampeão da América não mudou em nada a minha vida. Sigo trabalhando no mesmo lugar, com as mesmas contas para pagar, morando no mesmo apartamento do Brooklin Novo, mas sei lá, tem algo diferente. Acho que a sensação é de dever cumprido. Agora temos duas Libertadores também. Agora eu não tenho mais que ouvir do amigo gremista que somos o “Sport Club 2006″ ou o “Inter Caldas”. O Internacional é INTERNACIONAL sim. Ele veio para ficar. E, se Deus quiser, ainda teremos muitos anos vitoriosos pela frente.
Demorou, mas o bicampeonato da América veio. Pra mim levaram 29 anos… mas posso dizer: valeu a pena!
VAMO, VAMO, INTER!!!! PRA SEMPRE EU VOU TE AMAR!!!!
ps.: desculpem o texto longo, mas não deu pra resumir mais a história
26/08/2010 às 20:45
Caros,
Obrigado pelos elogios.
Não tenho conseguido escrever como gostaria este ano, mas sempre que posso colaboro.
Saudações coloradas!
25/08/2010 às 16:39
Muito bom
25/08/2010 às 08:55
Ah! Acho q esse foi um dos melhores textos que já li aqui no blog[3]
Saudações!!!
24/08/2010 às 20:50
Eu sou apenas 2 anos mais velho que tu, mas pelo que vejo o teu caso é exatamente igual ao meu! Incrível que até os times de 95 e 97 foram marcantes pra ti. Eram bons times. Curiosamente o inter tinha o Abelão de treinador em 95 e jurei nunca mais ir ao estádio enquanto ele fosse técnico após uma derrota, se não me falha a memória, pro Fluminense! Eu gostava daquele time, mas não ganhou nada.
Já o time de 97, lembro que era o Celso Roth de técnico. Incrivelmente, o inter que vimos jogando contro São Paulo e contra o Chivas (no méxico) lembrou MUITO o time de 97. Falem o que quiser de ruim do Celso Roth que eu assino embaixo, mas gosto do valor que ele dá para o toque de bola! Acredito em coletividade. Basta lembrar o grêmio do Felipão e principalmente O NOSSO COLORADO!
Mto bom artigo! Me identifiquei muito!
24/08/2010 às 20:23
Muito bom Zé Paulo! Parabéns!
Me associei em 2006 e tive a oportunidade de ver o Inter ser campeão de competições Internacionais por 3 vezes (Recopa, Sulamericana e agora o Bi)
Ah! Acho q esse foi um dos melhores textos que já li aqui no blog[2]
Aliás, só quem escreve alguma coisa que preste por aqui são os Zés, hehehehe. Porque os administradores do Blog… Iiiih, não têm este dom.
24/08/2010 às 15:07
Parabéns, Zé Paulo!
Tenho 45 anos e, antes dos anos 80 e 90 vivi um Internacional com muitos títulos, forte e respeitado. Vi os 3 títulos brasileiros e vivemos os difíceis anos 80 e 90.
Nosso Inter resgatou sua grandeza, sua importância e seu lugar dentre os grandes clubes.
Valeu a pena, com certeza!!!
Saudações coloradas!!!!
24/08/2010 às 12:55
Acho q esse foi um dos melhores textos que já li aqui no blog … Ando perto da versão 3.0 também e lembro q era f#### aturar os gaymistas enchendo o saco toda segunda …
Mudando de assunto, para ter vindo esse ilan, o alecsandro ou taison devem estar de saída …
Foi assim com dale x alex … tinga x sandro, entre outros …
Agora, vendam esse edu, ou doem para outro time meia boca … Inacreditável esse cara ainda estar no Inter ganhando um monte de $$$ sem NUNCA ter jogado nada …